quarta-feira, 14 de março de 2012

Mulher de verdade.

Eu queria ter escrito este texto numa data mais oportuna: O dia da mulher. Mas perdi a oportunidade e acabei protelando o post. Saibam, no entanto, que mais dia menos dia eu ia ter que publicar, pois considero o assunto da mais absoluta importância, e espero que vocês também.

Percebi com muita tristeza que muitas mulheres não se valorizam, não se dão valor. Aliás, como eu sei que muita gente é adepta da "pseudoleitura" ( = lê uma frase e já espalha que eu sou antissemita, neonazista, machista, capitalista, burguesa, xiita), quero deixar claro desde o início que não estou falando sobre "se valorizar" no sentido deturpado que muita gente pensa: "Aquela menina não se valoriza. Tá pegando geral."

Antes penso o contrário: aquela menina que está atraindo a atenção de todos e resolve ficar com mais de um, se valoriza muito. Valoriza-se tanto a ponto de respeitar sua própria consciência e fazer o que tem vontade. Porque, penso eu, valorizar-se é antes de mais nada se conhecer, fazer o que tem vontade, não ir de encontro ao que acha certo. É respeitar-se, em suma, a si e a suas opiniões e interesses.

Também não estou falando do julgamento dos outros, até porque uma mulher que se valoriza nunca precisará se preocupar com isso. O valor que os outros te dão, é com os outros. "Se eu fosse me preocupar com o que os outros pensam sobre minhas condutas morreria sozinha sem ter vivido", é o que penso.

A mulher que se valoriza é a mais irresistível das criaturas e digo que tive a honra de conhecer algumas delas. Esta mulher se conhece, sabe o que quer, sabe do que gosta, pelo que se interessa e age de acordo com seus próprios ditames de moral. Ela não precisa de ninguém pra ser feliz, porque ser feliz junto e se fazer um apêndice do outro é fácil, mas ser feliz com o valor que se tem é que é difícil e demanda aprendizado contínuo.

Uma mulher de verdade não fica se podando, nem deixa que um homem o faça: ela pode rir descontroladamente numa mesa de bar comendo uma coxinha com a mão e bebendo uma cerveja, contando os casos engraçados de sua vida com um tom de voz alto. Porque se valorizar é ser aquilo que se é.

Uma mulher de verdade pode ser romântica e admitir que chorou copiosamente assistindo "Um amor para recordar", falar baixo, ser comedida, mas, por baixo de tanta "fragilidade", pode lutar boxe, frequentar botecos na periferia e ser desinibida nos momentos que interessam.

Quem inventou que mulher tem que ser perfeita/"phynnah"/delicada/bonequinha de porcelana/esposa?

Aí eu, que já penso isso tudo e sempre pensei, vejo no facebook um monte de menina (porque eu não posso chamar de mulher, obviamente) chorando pitangas por causa de homem, se descabelando porque ele está com outra, comendo sorvete e chocolate e ouvindo Adele porque "sofrer faz bem". Caiam na real! Sofrer pra quê?  Se você se valoriza não vai se deixar sofrer assim não. Não assim, intencional e desesperadamente como se o mundo acabasse de ruir sob seus pés.

Mandar diretas como se fossem indiretas, postar fotos de roupa curta e maquiagem carregada depois de levar um pé na bunda pra mostrar que está "ótima" (quando tá morrendo por dentro), ouvir música de sofrimento (exceto as de arrocha, é claro, que são sempre bem vindas)? Isso é coisa de mulherzinha.
E outra: não são todos os homens que conseguem sustentar uma mulher de verdade do lado não viu? Tá pensando que é fácil pra um homem,  gênero egoísta acostumado a ser o centro das atenções, ter uma mulher de verdade do lado chamando a atenção por onde passa?

Mas apesar daqueles que não conseguem valorizar a mulher de verdade, ela mesma supre o valor que lhe falta ser atribuído pelos outros justamente porque não tem tempo de se preocupar com conjecturas alheias.
Ela está ocupada cuidando de sua própria vida, de seus desejos, fazendo o que tem vontade e que está de acordo com o que acha certo, sendo honesta consigo mesma.

A mulher de verdade está sem tempo de lamentar a vida, os erros, os outros. Ela está simplesmente dirigida a um único propósito: ser feliz.


E eu sou feliz sendo assim (só pra vocês saberem, hehe).

#ficaadica


domingo, 26 de fevereiro de 2012

Estereótipos

Marcaram de sair. Sexta à noite, dia internacional do namoro. Quem sabe rola algo no sábado também, mas ainda é cedo pra saber. Cinema. Jantar depois. Talvez uma caipirinha pra animar. Não, caipirinha não, um vinho. Melhor falar um Drink, mais chique. Se conheceram naquele aniversário de um amigo em comum. Se apresentaram com "três beijinhos pra casar". O amigo foi que propôs a brincadeira. Ela se martirizando porque não foi no salão e sua cutícula estava em estado lamentável. "Será que homem repara? Não, repara não." Ele arrependido por ter ido com aquela camisa amarrotada. "Essa camisa parece que saiu de uma garrafa". Mas gostaram um do outro. Conversaram sobre música. Ela gostava de Rock, ele de MPB, mas ambos fizeram concessões. Falaram sobre comida também. Ela tentou fazer tipo, dizendo que gostava de coisa saudável - mentira, comia no Mc Donald's umas 4 vezes por semana. Ele tentou fazer o tipo sofisticado dizendo que adorava restaurantes - mentira, era cliente do Pastel do Zé há 10 anos. Contaram sobre as viagens que já empreenderam: ela para a Patagônia, ele tinha ido pra o Canadá duas vezes - tinha família lá. Ela começa a analisá-lo:"hum... interessante, bem humorado, cara de sério, sofisticado, mora sozinho, deve saber se virar. Tem um charme quando pisca o olho esquerdo. Sorriso bonito." Ele também: sozinha aos 30, sei não...mas é bonita, faz o tipo gostosinha, falsa magra, olhar bonito, também gostei do sorriso. Conversa interessante, parece ser inteligente. Trabalha num negócio próprio, independente, será que é feminista demais? Se for é um saco."

E agora estavam ali naquela sexta à noite. Ela esperando ele chegar. Checou o hálito, se havia batom nos dentes. Se olhou no espelho mil vezes. Viu um pêlo saindo da sobrancelha. Droga, pêlo teimoso. Será que homem repara? Não, não repara. E a roupa? Será que tá boa? Escolhera um vestido não muito curto pra ele não achá-la ousada demais, mas não muito longo a ponto de parecer uma vovozinha. Perfume suave, maquiagem leve. Homem gosta do que parece natural. Mas justo na sexta apareceu aquela espinha bem na ponta do nariz. Daquelas que doem. Saco. Será que ele repara? Isso repara. Mas dane-se, ninguém é perfeito. Por falar nisso, devia se lembrar de não falar palavrão, falar baixo e comer devagar. Sua mãe a repreendia dizendo que era por isso que estava sozinha. Besteira. Todo mundo xinga. Mas é melhor não fazer isso no primeiro encontro. Olhou dentro da bolsa. Carteira, celular, maquiagem, chave de casa. Cartão de crédito e dinheiro. Será que ele ia pagar a conta? Claro que sim, tinha cara de ser um cavalheiro. Mas ela ia se oferecer, claro. Fazer questão de dividir. Será que ele ia achar feminista demais ou só educado? Na hora ela resolvia. Será que rolaria algo mais? Não, primeiro encontro. Não queria ser taxada de "fácil" logo assim de cara. Mas e se eles nunca mais saíssem? Ia perder a oportunidade. Não, não. Melhor só jantar, conversar. E só. Só isso. Ele está atrasado 10 minutos. Não, ela que estava adiantada. Relógio adiantado era mania. Isso faz parecer que é ansiosa. Mas é mesmo. Ah, dane-se. Ninguém é perfeito. É sentar e esperar. 

Enquanto isso ele estava no carro, saindo de casa. Checou o hálito, a barba. Tinha uma falha na barba. Será que ela vai reparar? Repara, mulher repara em tudo! Camisa mal passada outra vez. Mas não tinha problema, ele podia dizer que foi por causa do carro. O carro estava em ordem? Estava. Menos aqueles livros jogados ali em cima do banco traseiro. Ninguém vai sentar ali. Mas mulher repara. Melhor tirar. Olhou os CD's. Lembrou que disse que gostava de Chico Buarque. Não tinha nenhum. É só dizer que esqueci em casa. Dá uma sensação de que não estou nem aí. Mulher gosta disso. E de foto da mãe na carteira. Ou de algum sobrinho. Não tinha. Cartão de crédito, dinheiro. Melhor ir prevenido. Comida saudável é caro. E ela gosta. Como é que gosta de coisa sem graça?  Será que ela vai se oferecer pra dividir a conta? Seria legal da parte dela. Droga, passei do prédio. Será que ela já está esperando? Com certeza não, mulher sempre atrasa. Mas ela é independente, tem jeito de "pontual". Não parece ser daquelas que se produz demais não. Será que ali é ela, de vestido? Nossa! Está diferente da última vez que a vi.

Não sabiam pra onde ir. Comida saudável? Restaurante caro? Coisa chata. Queriam só ficar conversando. Foi aí que ele teve a ideia que ela adorou. Acabaram a noite no Pastel do Zé, ela xingando a política econômica do governo atual e ele dizendo que não se dava muito bem com a mãe. E foi assim que de fato começaram a se conhecer.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Ah, o Carnaval....

Faz tempo que eu não escrevo nada por aqui, pensando em um assunto legal, então resolvi falar sobre uma das festas mais esperadas do Brasil, quiçá do mundo: o CARNAVAL!

Pouca gente sabe, mas o Carnaval originou-se na Grécia Antiga, sendo uma festa de agradecimento aos deuses pela fertilidade do solo e pela produção. Diz-se que posteriormente, os gregos e romanos inseriram atividades lúdicas nessa festividade como a ingestão de bebida alcoólica e práticas sexuais (jura?), o que depois de certo tempo foi criando o Carnaval tal qual o conhecemos: uma grande festa popular, um grande "festival da carne", onde tudo - tudo mesmo! - pode acontecer.

Minhas observações sobre essa festa tão importante na cultura brasileira partem da Bahia, mais especificamente do Carnaval em Salvador. E que Carnaval!

De início já começo dizendo que o Carnaval aqui na Bahia marca o começo do ano: assim como os chineses comemoram o ano novo numa data totalmente aleatória, DO NADA, nós entramos no Ano Novo a partir do Carnaval...Então até o Carnaval os baianos vivem num limbo, e isso é a mais pura verdade. Quem nunca fez a promessa de começar a estudar depois do Carnaval? Quem nunca quis começar uma dieta depois do Carnaval? Todo mundo já fez isso! No linguajar jurídico o Carnaval seria o termo inicial das promessas de Ano Novo. Por quê?

Porque no Carnaval pode tudo! No Carnaval você pode comer Dogão sem culpa, pode descer até o chão, pode deixar de estudar, pode desaprender a como se comportar na rua, pode dormir nela,  pode perder toda a noção das coisas, e até os critérios pra escolher alguém com quem se relacionar...pode tudo! Duvido que alguém nunca tenha dito a seguinte frase: "Aaah, mas é CARNAVAL!!".  Eu disse.

É uma festa tão peculiar, tão ímpar, que há cenas que você jamais verá na vida ou na ficção, mas presenciará no Carnaval! E eu até me arrisco a dizer - e tentar provar - que tudo acontece mais ou menos do mesmo jeito todo ano.

Não dá pra falar de Carnaval sem falar de divisão de classes.. Todo mundo aqui sabe que o Carnaval é uma festa muito lucrativa, onde os blocos ganham muito dinheiro, os artistas ganham mais dinheiro ainda, Bell Marques ganha mais do que todo mundo e os cordeiros ganham a chance de pegar alguém que anda desprevenido perto da corda. Isso é fato!

Todo mundo sabe que tem bloco de rico e bloco de pobre. Bloco de rico é aquele que você, pobre mortal, só pode comprar se dividir em 10 prestações, no mínimo, e mesmo assim vai tentar vender um dia pra amortizar sua precariedade financeira pós-carnaval. O que mais se vê em bloco de rico é gente bonita, turista e homossexual. É o que tem! E o engraçado é que o pessoal paga tão caro pra ver uma atração que eu até hoje não entendo porque faz sucesso... Porque assim, a letra não é uma poesia, uma obra prima e a voz não é das mais afinadas ou com o timbre mais legal. Mas enfim, se até Restart faz sucesso, por que não, né?

O bloco de pobre é aquele que você pode comprar de última hora, só se tiver bom. Eu, particularmente, acho as atrações até melhores, mais animadas! A galera dentro do bloco é que é menos provida de beleza exterior, mas como eu já disse antes "É carnavaaal", então tá valendo. O negócio é não ficar muito perto da corda, porque cordeiro nenhum perdoa mesmo! Nesse bloco você pode ver alguém comendo aquele espetinho com farinha de fazer inveja a qualquer René Velmont (vide Fina Estampa, novela das 9).

Tirando os blocos de rico e os de pobre tem a galera que eu chamo de "massa falida", onde eu me incluo, que não tem dinheiro/disposição nem pra bloco de pobre e aí sai na Pipoca, que é a melhor representação do inferno que você pode ter em vida - e que eu fui. A pipoca é o único lugar que contraria a Física, aquela lei de que "Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço." E eu digo a vocês que pode, desde que se trate da pipoca do Chiclete. Na pipoca você não fica parado, você "se planta"; você não se alimenta, você come um pastel; você não bebe, toma príncipe maluco. Mas é carnavaaaal, então pode!

Fora isso, o que tem em todo Carnaval é gringo desorientado! Ave Maria...Você vê o gringo na Barra com um abadá do CocoBambu, mas o bloco Coco Bambu já tá chegando em Ondina! E eles não tão NEM AÍ! E eles são a sensação da festa! Todas as mulheres ficam sensualizando pra gringo! Gringo tem uma pegada de príncipe nórdico, aquela carinha de insolação que conquista qualquer uma, e você fica ali paquerando até o momento que você vê o gringo pegando uma CORDEIRA, do nada..Aliás, essa é uma pergunta que eu sempre faço quando vejo a cena: POR QUÊ??? Isso me faz perder a fé no ser humano. Juro.

E agora vamos falar do amor! Ah, o amor no Carnaval! Aquele amor sofrido, corrido, porque a pipoca do Psirico tá vindo ali atrás e "azamyga" tão saindo do local. Quem nunca ficou segurando a mão da(o) amiga(o) pra esperar exercer o amor não sabe o que é amizade! Mas é possível encontrar o amor no Carnaval? Sim, é possível! E é próprio da mulher acreditar nisso.Tem mulher que vai achando que pode achar um príncipe encantado e por não achar acaba ficando com o príncipe maluco mesmo (qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência)...Mas pode acontecer. Eu acho. Só não vai acontecer no final de percurso do Crocodilo, porque aí é crime impossível por absoluta impropriedade dos meios, se é que me entendem.

Por falar nisso vou lançar meu momento "revolts" e dizer: GAYS, parem de ser lindos! Isso é só pra acentuar minha incompetência ou acabar com meus critérios? Fica a dúvida no ar.

Dentro do tema do amor, vamos fazer uma consideração sobre os garotos que saem de Gandhy. Existe um misticismo que ronda esse pessoal. Por quê? Porque ninguém sabe o que é que tem a ver o negócio do colar com o Gandhy de verdade lá da Índia. Eu não entendo. Se alguém puder explicar, dá uma comentada aí, porque eu vivi toda a minha vida achando que Gandhi devia distribuir isso lá na Índia pros ingleses, o que gerou um berço de homossexualidade. O fato é que tem gente que sai no Filhos de Gandhy porque acredita, porque tem uma vibe legal e tal, mas tem gente que sai porque não pega ninguém na vida real! Isso é sério! Tem gente lerda no mundo, que não pega ninguém nas CNTP. Aí precisa dessa pegada mística/oferenda/alfazema pra conseguir uma coisinha. Agora assim, se você saiu de Gandhy e não pegou ningas, vamos brincar de outra coisa, porque se nem de Gandhy conseguiu, é porque o problema é com você.

Por fim vale dizer que o Carnaval me encanta e não quer sair de mim por pelo menos uma semana, que é o tempo de a clássica virose ir embora e deixar a gente trabalhar de verdade, cumprir as promessas de Ano Novo e começar os relacionamentos, que é o que ocorre no final dessa festa mundana.

Querem conselhos pro próximo ano? Rycos, comprem seus abadás e camarotes de 1000 reais/dia; pobres, comprem os seus abadás do Inter dividido em 10 prestações a partir de Março; casais, namorem muito e continuem mantendo a estatística de filhos nascidos em Outubro/Novembro; gays, parem de ser lindos e de sambar na cara da sociedade feminina heterossexual; gringos, please do not catch so many ugly girls in front of me; meninos de Gandhy que não pegam ninguém, desistam.

Fica a dica.

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Promessas sinceras pra 2012!

Em 2012 eu prometo fazer tudo que eu quiser e puder pra ser feliz!
Prometo sorrir mais, com ou sem motivo, agradecer por tudo o que tenho e lutar pelo que quero com mais persistência.
Ir mais à praia e ficar menos tempo no computador, encontrar as pessoas ao vivo e não em bate-papo, curtir a vida e não as publicações!
Prometo me preocupar menos com as coisas que não posso mudar e sobre as quais não tenho mais ação.
Prometo desfrutar de todas as boas companhias: as de sempre, as novas, as inesperadas.
Vou deixar o mundo me surpreender e ter fé no que ele me reserva. Serei mais organizada e não deixarei mais as plantas morrerem.
Prometo confiar mais nas pessoas e menos no meu pessimismo, sabendo que cada um no mundo tem algo a nos ensinar.
Vou dançar como se não houvesse plateia, cantar como faço no chuveiro e não me importar com os pensamentos maldosos de quem não sabe aproveitar a vida.
Este ano eu prometo amar mais! Isso significa uma série de coisas: perdoar mais, sorrir junto, estar perto e dizer "eu te amo" pra todos aqueles que eu de fato amo, sem vergonha alguma.
Prometo ser uma boa amiga, estar mais disponível pra ajudar, pra ouvir ou simplesmente jogar conversa fora.
Vou estudar mais, me dedicar mais, trabalhar melhor, e nunca, nunca desistir.
Prometo ter menos medo, fazer o que tenho vontade e simplesmente deixar rolar.
E no fim do ano, novas promessas, novos desejos, mas a mesma sensação que tenho todo ano, de que TUDO VALEU A PENA!

E aí? Quem me acompanha?

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Fica a Dica : Redes Sociais.

Tendo em vista o crescimento do número de pessoas sem noção nas redes sociais, sobretudo no Facebook, resolvi dar alguns conselhos para essa galera.


1. Não importa quantos amigos você tenha no seu perfil, nunca se vanglorie disso: você sabe que de uma lista de 900 você, invariavelmente, só poderá contar de verdade com 5.

2. Não poste publicações sobre o quanto você se importa com o mundo: se você não se importa a ponto de fazer algo prático por ele, não é compartilhando mensagens que conseguirá alguma coisa.

3. Atenha-se ao seu objetivo na rede social: se você quer fazer contatos profissionais, nunca escreva algo como #odeiosegundafeira ou “No trabalho”. Isso dá a entender que você odeia trabalhar, a ponto de continuar conectado no facebook mesmo ao exercer suas funções.

4. Não importa o quanto você esteja se sentindo deprimido e abandonado hoje: NUNCA, em hipótese alguma, comente algo do tipo “Muito triste.” no seu perfil. Isso dá a entender que você só postou isso no intuito de alguém perguntar como você está e de você ter a pseudo sensação de ser querido. Quer ajuda? Procure seu melhor amigo depois da aula, converse com sua família ou procure ajuda profissional.

5. Quer ser engraçado? Seja, mas com bom senso. Muitas coisas que são compartilhadas não passam de lixos morais. Se você não compactua, não repasse: seja sempre honesto com você e com os outros.

6. Muita gente coloca a expressão “LUTO”, em seus perfis. De verdade, nunca acreditei na dor de uma pessoa que precisa postar isso. Fico imaginando o seguinte diálogo: “- Fulana, te liguei pra dar uma notícia triste. -O que foi? - Beltrano morreu.- Snif..snif...Poxa, que pena. Vou colocar no Facebook.” Um conselho: respeite sua própria dor para que os outros façam o mesmo.

7. Seja coerente. Se você não quer que determinada coisa seja descoberta, não poste coisas do tipo : Aquela noite foi massa, hein, amiga Fulana?. Todos ficam curiosos com isso, além de causar um mal estar com outras amigas, que eventualmente não foram convidadas para o mesmo evento.

8. Quer falar de um assunto sério? Quer mesmo? De coração? Então conheça sobre ele primeiro. Entre postar uma frase sem qualquer fundamento e não postar, com certeza o seu silêncio valerá mais e você não correrá o risco de ser ridicularizado.

9. Nunca lance uma indireta dizendo que não é indireta. Isso equivale a uma direta. Vide aula de matemática: (-) + (-) = +.

10. Por último, mas não menos importante, se você não gosta de você mesmo, não tente enganar os outros. Todo mundo sabe que as pessoas de pseudo auto-estima elevada escondem dentro de si um ser completamente inferior, que coloca os outros pra baixo, na tentativa de se sentir um pouco superior. Você, mulher, não precisa colocar frases feministas no intuito de atestar que você está sozinha por opção. Se você está sozinha por opção, é por opção de todos os homens que estão ao seu redor e não te querem. Não precisa tentar demonstrar que você é superior a todos eles, é só você se arrumar, botar uma roupinha bacana e ser legal que alguém aparece aí pra você.

#ficaadica

sábado, 8 de outubro de 2011

Crônicas do Busú - Parte I

Ônibus, busú, buzú, buzão, carro (?): o nome pode ser diferente mas a (má) experiência é a mesma. Aliás, exatamente a mesma. Quer ver?

Quando eu era pequena e vinha pra Salvador, achava o máximo andar de ônibus. Primeiro, porque minha cidade é tão pequena que não tem transporte público, segundo porque eu me sentia num brinquedo de parque, daqueles enferrujados. Eu queria sempre ir em pé, justamente pra dar mais emoção: ficava surfando nas curvas do caminho e me segurando pra não cair quando o ônibus descia uma ladeira. Era muito bacana, mas só de vez em quando.

Depois, vim morar aqui em Soterópolis, com ânimo definitivo, e passei a conviver com as agruras de não ter Carteira de Habilitação, nem carro. Como eu não sabia pegar ônibus na época, tentava me guiar pelo nome que vinha no painel. Só que o problema é que eu não sou adivinha. Como é que alguém sabe que o ônibus "Ribeira" passa no Itaigara e no Iguatemi?? Óbvio que eu não sabia. Fazia o quê? Ia perguntar pra algum baleiro que fica em ponto de ônibus. "Moço, como é que eu faço pra chegar no Shopping Barra?" "Pega Lapa". Simples assim. Com o tempo vc vai pegando a manha, observando e aí parece que tudo vai ficar mais fácil. Ilusão, difícil aguentar o ônibus todo dia. Os motivos? Acompanhem comigo:

a) Se tem uma coisa que me deixa pirada é quando eu tô no ponto há meia hora (MEIA HORA) e vem vindo o ônibus que eu quero pegar. "Até que enfim!". Só que vem vindo outro na frente e aí, bem nessa hora vc torce, vc reza, vc pede a Deus, que não deixe o seu ônibus passar por trás do outro. O que vc acha que o motorista faz? Seu ônibus vem vindo, vc estica o bracinho pra dar sinal.Ele aproveita que o outro ônibus tá no ponto pra passar por trás!!!!!!!!!!!! Você fica lá com cara de otário com o braço estendido, todo sem graça e aí xinga o motorista, seus ascendentes e descendentes até a quinta geração! Motoristas, por favor, não façam isso. É muito triste.

b) Mas o motorista não é o único que te faz sentir assim não. Tem cobrador que não tá de bem com a vida e aí resolve te sacanear também. Caso prático: "Moço esse ônibus passa no Iguatemi?". "Passa." Aí vc entra, "rezistra" sua passagem, passa da catraca, senta (se der) e fica lá ouvindo música, curtindo seu passeio. De repente o ônibus começa a entrar numas ruazinhas estranhas, com poucas casas, sem nenhum movimento, isso depois de 30 minutos. Você começa a achar estranho. Aí vê a placa "BR 324". Você dá aquele pulo: "CARA%$¨&*!". Vai tirar satisfação com o cobrador: "Você não disse que passava no Iguatemi?". Resposta: "Mas passa. Na volta." Sentimentos ruins tomam conta de você e você deseja ter o poder de lançar um "avada kedavra" no cobrador. Isso já aconteceu comigo. Não na BR, graças a Deus.

c) Fora essas duas figuras indispensáveis no busú, há aqueles que te acompanham na viagem por motivos vários. O baleiro é um exemplo. São os únicos que eu gosto, em geral. Isto porque só quem anda de ônibus pela cidade toda sabe o que é comer um "mendoratto" pra não ver o estômago em processo autofágico. Bananada, jujubas "Docile" e Halls - que se fala "RÁLIS" - são outras iguarias que podem salvar você de uma hipoglicemia séria. Já pararam pra prestar atenção no que eles falam? É sempre mais ou menos assim:
"BOM DIA, PESSOAL! PESSOAL, DESCULPE INCOMODAR O SILÊNCIO DA VIAGEM DE VCS, PESSOAL. PESSOAL, É QUE CHEGARAM AS NOVAS JUJUBAS DOCILE, PESSOAL. TEM OS SABORES DE TUITI FRUIT E IOGURTE, PESSOAL. É UMA DELÍCIA, PESSOAL!" Muito bacana. Reparem que os baleiros são pessoas de bom senso e sabem que andar de ônibus é uma "viagem" mesmo, dada a quantidade de horas do dia que nós passamos nesse meio de transporte. São figuras queridas.

d) Doutores da Alegria, Teatro da Alegria, Qualquer Coisa da Alegria: São figuras mais raras do que os baleiros, mas aparecem com certa frequência. Geralmente estão vestidos com roupas de mulher, se homens, e/ou com maquiagem de palhaço. O que me intriga nessas pessoas é o diálogo com o público, que é sempre IGUALZINHO. Assim: "BOM DIA, PESSOAL!!". Ninguém responde. Todos ficam quietos e só uma ou outra voz tímida diz um "bom dia aí...". Aí o pessoal da Alegria faz uma coisa que me irrita muito:

"NOSSA PESSOAL, PARECE QUE NINGUÉM TOMOU CAFÉ HOJE. BOM DIA PESSOAL!!!!!!!!". Vergonha alheia ( ¬¬). PESSOAL, EU ESTOU AQUI PARA DIVULGAR O TRABALHO DOS NÃO SEI O QUE DA ALEGRIA. É UMA INSTITUIÇÃO QUE PROCURA LEVAR ALEGRIA ÀS CRIANÇAS QUE ESTÃO EM ORFANATOS E HOSPITAIS. INFELIZMENTE, PESSOAL, NÃO CONTAMOS COM NENHUMA AJUDA DO GOVERNO E POR ISSO ESTAMOS PASSANDO ESTES CARTÕES COM POEMAS. SE VCS NÃO SE INTERESSAREM, PESSOAL, PODEM AJUDAR COM O QUE QUISEREM: 5 CENTAVOS, 10 CENTAVOS, 1 REAL, 100 REAIS, A CHAVE DO APARTAMENTO, O CARRO. CALMA, PESSOAL. EU ESTOU APENAS BRINCANDO. VOU ESTAR PASSANDO COM OS CARTÕES E QUEM TIVER O INTERESSE, PESSOAL, PODE PEGAR.

Quando vc vai ler o poema, sempre tem um com o desenho dos "Dálmatas", DO NADA, e um poema sobre amizade e um com um desenho de uma rosa e no verso um poema sobre o amor. Sempre que eu leio o poema, penso na pessoa que escreveu e imagino que seja uma criança pq a rima é sempre a mesma. Alguém já leu? É mais ou menos assim:
"Eu e Você.
Gosto de estar com você.
Você é meu coração.
Penso em você a todo instante.
Sinto muita emoção.
Quero você do meu lado.
Pois amo você.
Vamos seguir juntos.
Eu e você."

Pois é. Depois as pessoas me perguntam porque eu não compro.

e) Além dos doutores da alegria, teatro da alegra etc também costumam aparecer nos ônibus uns caras do "Acampamento Manassés" ou "Casa de Recuperação Efraim". Costumam dizer o seguinte: "BOM DIA PESSOAL. PESSOAL, NÓS ESTAMOS AQUI PRA DIVULGAR O TRABALHO DA INSTITUIÇÃO MANASSÉS. ESTA CASA FAZ UM TRABALHO DE RECUPERAÇÃO DE VICIADOS EM DROGAS E NÃO CONTA, PESSOAL, COM A AJUDA DO GOVERNO. EU MESMO, PESSOAL, JÁ FUI VICIADO EM DROGA: MACONHA, COCAÍNA E ENTREI NO SUBMUNDO DO CRACK, PESSOAL. PERDI TUDO, PESSOAL: MINHA FAMÍLIA, MINHA ESPOSA, TUDO POR CAUSA DA DROGA. JÁ FUI PRESO DIVERSAS VEZES, PESSOAL - nessa hora eu penso: Medo. - MAS HOJE, PESSOAL, GRAÇAS AO INSTITUTO MANASSÉS EU CONHECI JESUS E ENTÃO SAÍ DESSA VIDA. MUITOS IRMÃOS AINDA ESTÃO NESSA SITUAÇÃO, PESSOAL. ENTÃO ESTAMOS REPASSANDO, PESSOAL, ESSA CANETA LANTERNA NO VALOR SIMBÓLICO DE APENAS 2 REAIS, PESSOAL, PARA QUE POSSAMOS CONTINUAR AJUDANDO AOS IRMÃOS VICIADOS.

Em que pese o medo, a caneta lanterna é legal. Tenho duas.

f) DJ's : Estão presentes em quase todos os ônibus da cidade. Pelo menos em todos nos quais eu ando. São detestados, por mim e por todos aqueles que tem um mínimo de educação. Isto porque pegam aquele celular dual chip com rádio, bluetooth, câmera e mp3 e ouvem música no decorrer da "viagem". A poR$# do celular não podia vir com fone de ouvido? É tão melhor do que ser dual chip!! Casas Bahia, por favor, não coloque o celular dual chip, com rádio e MP3 E SEM FONE DE OUVIDO no saldão que é "só até hoje nas Casas Bahia". Depois de um dia cansativo, tudo o que vc mais quer é chegar em casa em paz. Mas no ônibus vc não encontra paz, justamente porque tem uma pessoa, que quer ouvir seu RAP, seu PAGODE, seu GOSPEL e acha que o restante das pessoas ou tem o mesmo gosto musical ou é obrigado a ouvir. Juro que uma vez eu ia pegar o meu celular, sem fone de ouvido, e colocar Silvano Salles, meu ídolo, só pra ver se a pessoa se toca. Mas depois eu percebei que não valia a pena. A música de Silvano não pode ser tocada em vão (Meu ídolo!).

g) Pessoas com bolsa grande/mochila: Gente, eu sei que bolsa é algo necessário, assim como mochila. Todos nós que precisamos passar o dia todo fora de casa temos de levar muita coisa: marmita, outro sapato (chinelo), desodorante, carteira, livro ou caderno. Enfim, muita coisa. Mas não é por isso que precisamos esmagar as pessoas. Gente, isso é feio. Observem a lei da fisica: "Dois corpos não podem ocupar o mesmo lugar no espaço". Isso é essencial no ônibus. Primeiro, porque muita gente não pede nem licença, você só sente o seu baço sendo arrancado quando ela passa. Segundo, tem gente que pede licença e acha que isso legitima qualquer coisa, inclusive te jogar contra as pessoas que estão sentadas, o que é extremamente desagradável. As mochilas conseguem ainda ser um pouco piores porque, pela aerodinâmica elas se encaixam perfeitamente na sua lombar e ficam te forçando a ter lordose. Muito chato isso.

Pessoal, o ônibus é um lugar que todos usamos. Lembrem-se que o seu direito termina onde começa o do outro, vulgo "eficácia horizontal dos direitos fundamentais." Como todo lugar público, o ônibus tem também suas regras de etiqueta, e nós devemos obedecer, até porque andar de ônibus é tão ruim que tudo que puder amenizar este sofrimento é bem vindo. Depois eu coloco aqui algumas regrinhas de etiqueta no ônibus que eu peguei com Glorinha Kalil.

#ficaadica.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Das "classes sociais"

Hoje no estágio estava conversando a respeito das "classes sociais" (antes que me perguntem, não sei como cheguei nessa conversa), tentando definir qual o critério utilizado pelos órgãos do governo para se atribuir a determinada pessoa ou família a classe B e não C, entre outras. Conversando sobre o assunto eu me lembrei da divisão tradicional de classes era "classe alta", "classe média" e "classe baixa", o que soa até pejorativo.
Pra não ter problema com esse negócio do politicamente correto, inventou-se que existe uma "classe média alta" e "classe média baixa", o que criou problemas maiores ainda. Sim, porque, de acordo com essa definição você poderia ser:

Classe alta = Rico
Classe média alta = Quase Rico
Classe média média =Meio termo entre quase rico e quase pobre.
Classe média baixa = Quase pobre.
Classe Baixa = Pobre.


Depois, criou-se o sistema de letras, dividindo as classes em A, B, C, D, E, partindo de alguns parâmetros - assaz duvidosos - como nível de escolaridade, renda per capita, taxa de fecundidade etc. Penso eu que o uso desses critérios, apesar da indubitável boa intenção, não tem nada de objetivo. Isto porque é tradição em nosso país a chamada "maquiagem social".
O índice de escolaridade, por exemplo, corresponde a uma realidade formal, pois os alunos estão matriculados, concluíram o ensino fundamental, o ensino médio, todavia o que se esconde por trás dos números é que a maioria continua analfabeta - total e funcional.
Com as classes é a mesma coisa: a realidade fica sufragada em meio a tantos índices, a exemplo do número de televisões em uma residência. Aliás, quantos às análises atuais, já se criou um sistema que divide as classes em A1, A2, B1, B2, C1, C2, D e E, conforme o Critério de Classificação Econômica Brasil. Sério. Como seria essa divisão? A meu ver, é isso aqui:

A1 = Muito muito rico.
A2 = Muito rico.
B1 = Rico
B2 = Quase rico
C1= Classe média média.
C2 = Quase pobre.
D = Pobre.
E = Miserável

Os critérios vão desde o número de banheiros em casa, até o de empregadas mensalistas (o imperativo do politicamente correto não entrou aqui, consta lá empregadA mensalista mesmo).
Partindo do pressuposto de que tenho uma imaginação que foge aos padrões do homem médio, resolvi, sem usar de nenhum critério objetivo, mas partindo de observações empírico-sociológicas, criar uma classificação própria, que traz definições interessantes e estereotipadas -admito- sobre as tais classes no país, se ainda for possível falar nesses termos. A divisão e correlata definição é a seguinte:

M= Multimilionários.Com exceção de Eike Batista e um certo pastor da Igreja Universal, são quase todos políticos brasileiros. Detém os meios de produção com o suor do nosso trabalho. Tem contas espalhadas em pelo menos 10 paraísos fiscais, patrimônio de milhões de dólares, muitos imóveis, joias, carros de luxo. Possuem tudo o que o dinheiro pode comprar inclusive sentenças, acórdãos e eventualmente até estados da federação. Acreditam no poder e na força do patrimônio público e, por isso mesmo, carregam para si. Criam leis, Medidas Provisórias, votam Emendas Constitucionais, decidem processos. Comandam a Justiça, brincam com as leis e, não raro, preocupam-se com a imagem, sobretudo de dois em dois anos. Vivem bem, confortáveis e do alto de suas mansões observam seus filhos brincarem com o que puderam ter e sentem-se orgulhosos, pois deram a eles o que não tiveram. Os filhos poderão estudar no exterior.Não são presos, e se o forem não usarão algemas. Governam o país.

R = Ricos. Em geral, tem relações com os multimilionários. Muitos são artistas globais, pastores e jogadores de futebol - não enquadrados nos multimilionários. Vivem bem, confortáveis, estão acima da média. A exemplo dos multimilionários, alguns auferem renda com o suor do nosso trabalho, sob a forma de dízimos. Outros são viciados em drogas e, coincidência, são considerados "ídolos". Não vivem como pessoas normais. Em geral são excêntricos, egoístas e bonitos. Muitos querem se casar com representantes dos Multimilionários, em busca de melhores condições de vida. Muitos querem participar de eleições, com o mesmo objetivo. Muitos se suicidam. Parecem viver em um mundo paralelo, com mais ostentação do que o mundo dos multimilionários: não sabem o que é trabalho de verdade, tem medo de andar de ônibus, odeiam pobres, mas se precisam destes, passam a "amar". Tudo o que possuem é desejado pela classe média: o carro do ano, a festa do ano, a plástica do ano. Não pensam no que dizem ou fazem.

C = Classe média. Tudo tem a medida média: revolta média, indignação média, salário médio, escolas médias, saúde média. Tudo médio. Pagam impostos e esperam pela redução do IPI para comprarem mais eletrodomésticos. Frequentam Shoppings. Vão aos cinemas. Trabalham, em geral, para os ricos. Pagam mais impostos. Detém uma parcela de conhecimento maior que a dos ricos acima citados, mas não o utilizam. Contentam-se com uma vida média e uma justiça média. Sentem a inflação. Sustentam o país. Vivem preocupados, na incerteza do poder de compra de amanhã. São consumistas, vaidosos. Sonham com a vida dos ricos e não acreditam no potencial de chegarem aos multimilionários. Muitos querem se casar com os ricos em busca de melhores condições de vida. Muitos chegam a ser ricos através do Big Brother. Outros tantos através do Youtube. Reclamam dos preços nos supermercados, nos bares, nas lojas, mas mantém a indignação presa em sua mente média. Omissos, lenientes e acomodados. Têm plano de saúde, estudam em escola particular, são inadimplentes no cartão de crédito, compram coisas inúteis. Conhecem todos os esquemas dos multimilionários políticos, mas nada fazem. Esperam que os ricos façam - mas não farão. Espera que a justiça faça. Espera que a polícia faça. São advogados, médicos, engenheiros, arquitetos, jornalistas. Conformados com a vida média do país e a sua própria. Detém conhecimento, mas não sabedoria. Detém força, mas não união. São aterrorizados pela ideia nefasta de se rebaixarem à classe citada logo adiante. Pagam mais impostos.

P = Pobres. Sustentam o país. Trabalham muito, sempre. Utilizam os serviços públicos do governo: escola pública, sistema público de saúde, defensoria pública, transporte público.São secretários, faxineiras, técnicos, eletricistas, bombeiros, policiais. Não valorizados. Em vez de indignação, tolerância. Muitos são analfabetos. Moram onde podem, e de aluguel. Pagam impostos. Acordam cedo, em geral 05:30 da manhã. Poderiam se aliar à classe média, mas ela não se mistura com eles. Eles também preferem deixar os problemas de lado e fazer um pagode. Sonham com coisas não públicas: a casa própria, plano de saúde, escola particular. Observam a vida dos multimilionários pela Revista Caras. Gostariam de ser médios e fazem piadas com a pobreza. Os médios se acham tão superiores a eles quanto os ricos em relação a todo mundo. Pegam três conduções, em média. Os filhos querem ser jogadores de futebol, as meninas modelos. Vivem mal.

M² = Miseráveis. Não tem acesso a educação. Tem em média 5 a 8 filhos. Eles frequentam a escola que fica a 5 km de casa. Na escola não tem: professor, material escolar, livros, fardamento, merenda. Recebem o bolsa-família. Em geral são lavradores ou operários. Moram em qualquer lugar. Alguns embaixo da ponte, outros em uma casa de taipa. São invisíveis para as demais classes. Não sonham. Se sonhassem preferiam que fosse com comida, artigo raro hoje em dia. Trabalham de sol a sol. Não sabem o que é "lazer". Seus filhos não tiveram infância e os filhos dos filhos deles também não terão.Alguns vão pra outro local e conseguem ser pobres. A expectativa de vida é baixa. O que tem de pobreza, tem de fé. Alguns cometem crimes e estes sim, serão algemados, sufocados, torturados, assassinados.  Multimilionários tiram fotos com seus filhos nos braços para a campanha eleitoral. Sobrevivem.

P.S. Qualquer semelhança com a realidade pode não ser mera coincidência.
P.S.². Partindo do pressuposto de que os últimos serão os primeiros, e de que os primeiros serão os últimos, fica fácil saber quem são os verdadeiros miseráveis do país.